Mote :Eu ainda sinto o cheiro, do café que mãe fazia.
Meu irmão Rivelino me mandou um áudio com poetas repentistas fazendo repentes com o mote. Achei bom o mote e resolvi fazer alguns, mesmo sem ser de improviso (quem me dera), falando de papai, mamãe, Riva, nossa casa... Lá vai.
Eu lembro muito meu pai
Não gostava de Café
Mas era um homem de fé
Do pensamento não sai
A saudade ainda vai
Machucando todo dia
Tendo leite ele bebia
Era muito presepeiro
Ainda hoje eu sinto o cheiro
Do café que mãe fazia
Tinha um pé de caju
Plantado lá no quintal
Na minha terra natal
Minha querida Iguatu
Tiragosto de Pitu
Na telha sempre caia
Quando seu Bibi, Bebia
Se deitava no terreiro
Dormia sentindo o cheiro
Do café que mãe fazia
Uma vez faltou o saco
Ou pano como se chama
Papai deitado na cama
Pulou que nem um macaco
Na meia tinha um buraco
A meia que ele vestia
D.Neuba não queria
Ele mandou zombeteiro
Inda hoje sinto o cheiro
Do café que mãe fazia
Outra vez inda menino
Faltou pano pra coar
Seu Bibi mandou tirar
A sunga de Rivelino
Que era bem pequenino
E de nada entendia
Sua cueca neste dia
Virou coador ligeiro
Ainda hoje sinto o cheiro
Do café que mãe fazia
Fazia e ainda faz
Por uma Graça Divina
Vive bem a sua sina
Mulher de fibra e capaz
É portadora da paz
Dona da Sabedoria
Nora de Dona Luzia
E de Henrique guerreiro
Ainda hoje eu sinto o cheiro
Do café que mãe fazia
Por morar em Maceió
Não sinto o cheiro agora
Mas eu sei que qualquer hora
Compro seis quilos de pó
Santa Clara ou Seridó
Tupy me dá nostalgia
Vou em casa qualquer dia
Dois filhos sou o primeiro
Vou sentir de novo o cheiro
Do café que mãe (faz) fazia.
,
quarta-feira, 1 de julho de 2020
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020
A MEIZINHA
Não sou de apologia
Ao que gera confusão
Mas também quero respeito
À toda opinião
Meu amigo me escute
Veja se tenho razão
Eu, nascido no sertão
Na zona jaguaribana
Na terra de Alencar
O poeta não se engana
Peguei uma discussão
Neste final de semana
Pois um sujeito sacana
Veio com tal piadinha
Porque eu, quase gripando
Fui tomar uma meizinha
Disse ele ser safadeza
Aquela atitude minha
Aí não minha santinha
Enterrei os pés no chão
E parti com quatro pedras
Pra riba do cidadão
Defendendo a meizinha:
Cachaça, mel e limão
É remédio meu irmão
Melhor que Redoxon
Digo e não peço segredo
Eu não arredo do tom
Sendo na medida certa
Logo o cabra fica bom
Olha o velho Abdon
Provando amargo fel
Com difruço e estalecido
Se indo em del em del
A catarreira acabou
Com limão, cachaça e mel
O primo Salatiel
Quase que bate a cabaça
Com uma tosse infeliz
Cachorro doido de praça
Seu pulmão ficou “novin”
Com mel, limão e cachaça
Quem quiser que ache graça
Ontem eu tava amorrinhado
Espirrando e um zumbido
No ouvido deste lado
Juntei mel, limão, cachaça
Tomei tudo misturado
Hoje vejo o resultado
Já parou de escorrer
O catarro do nariz
Só tu vendo pra tu crer
Oh mistura abençoada
Meizinha do bem querer
Eu garanto pra valer
Cachaça, mel e limão
Se quiser Rabo de Galo
Mas já é outra versão
Cura isso e algo mais
Arrelique do sertão
Serve pra constipação
E espinhela caída
Pereba braba e unheiro
E mal de mulher parida
Pra frieira e dordói
É de cura garantida
Pra gente esmorecida
Desses que tem o buchão
Lombriga a três por quatro
Com jeito de amarelão
Recomendo só três doses
De mel, cachaça e limão
Quem não cumpre obrigação
E vive desiludido
Em falta com a patroa
Zuada no pé do ouvido
Tome doses reforçadas
Se não resolver: duvido
O compadre Aparecido
Com úlcera
rebentada
Com limão, cachaça e mel
E um “mastruzinho” de nada
Ficou bom em quinze dias
Oh meizinha abençoada
Mas você meu camarada
Me preste bem atenção
Tome na medida certa
E não faça profissão
Se não você se arromba
Com mel, cachaça e limão
Maceió (AL), Fevereiro de 2020,
Ruy Rodrigues.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
A Bicharada.
A Bicharada.
Chico Benvas meu amigo
Me preste bem atenção
Sou poeta nordestimo
Nascido lá no sertão
O que é que você acha
de Farol e Camarão ?
Ou mesmo de Cabeção
Poliglota e Megalógico
Tu lembra do Baleado
De Cangalha antológico
Tinha tanto bicho alí
Parecia um zoológico
Pra provar não ser ilógico
Vou falar de Cafimfim
Tinha o Zé Carioca
Que já foi pro Mar Sem Fim
E quem peste me chamou
De cara, de Bacurim ?
Antes tu era Fransquim
Mas teve o nome mudado
Pois alí era difícil
O cabra ser respeitado
Ao invés de Benvenuto
Chamavam de Amassado
Recordação do passado
Mas tudo só brincadeira
Lembro do Gordão Legal
E Salsicha de primeira
Tinha uma, era Matraca
Por ser muito faladeira
Não pense que foi besteira
Falo com muita emoção
Lembro Assis Panelada
Jacaré da confusão
E namorando Filó
Tinha o Joaquim Mamão
Trabalho e diversão
Chica Neide foi pro Céu
E o nosso Capitão Gancho
Também foi de déu em déu
E completando a lista
Tinha o famoso Xexéu
O Tempo pro Beleléu
Falta muitos neste rol
Fazer o tempo voltar
Peneira tapar o sol
Mas me diga o que tu acha
De Camarão e Farol ?
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Vendaval
Tremei velhos penduricalhos
Bibelôs e berloques chorem
Livros e revistas implorem
Se agarrem velhas colchas de retalhos
Armários e mesas falhos
Acenem para nunca mais
Traças e aracnídeos digam ais
Vão embora seus versos de morada
Pois o vento na sua ventarada
Sopra impune e os leva para a lixeira
Se brincar leva a dispensa inteira
Nova sala, novo caos,nova ordem
Aí daqueles que discordem !
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
GENEALOPOESIA
José Rodrigues de Souza
Casou-se com Mariana
Eles moravam na Cobra
Se o Espírito não me engana
Na Serra do Cariri
Município de Santana
A mulher tinha uma mana
Uma matuta trigueira
Eram da família Alves
Gente da lida roceira
Casou-se com um senhor
Pedro Alves de Oliveira
Numa lida verdadeira
Nos campos desse sertão
Foram tendo os seus filhos
Pedindo a Deus proteção
Crescendo e multiplicando
Cumprindo sua missão
De toda “ famiação”
Só de alguns eu falarei
Até porque na verdade
Quantos foram eu não sei
Quem sabia já se foi
E isto não perguntei
Como antes eu falei
Dos filhos de seu José
Eu falarei só de tres
Veja a história como é
Antônio, Silvino e Henrique
É verdade ponha fé
Por Jesus de Nazaré
A Dona Maria Rosa
A esposa de seu Pedro
Na luta vitoriosa
Teve Antônia, Moça e Luzia
E a história fica gostosa
Continuando a prosa
A coisa vai complicar
Pois não é que estes seis
Resolveram se casar
Não sei como começou
Mas o fim eu vou contar
Antônio foi se engraçar
Viu que Antônia lhe queria
Silvino gostou de Moça
Se casaram um belo dia
Seu Henrique não foi bobo
E se casou com Luzia
E pela santa poesia
Vejam esta trajetória
De luta e de sofrimento
Mas também sei, de vitória
De Henrique e de Luzia
É que vem a nossa história
Meu povo, estes versinho
populares, foram feitos a partir de uma conversa que tive com meu querido Tio Antônio,
entre final de 2017 e início de 2018, achei importante partilhar,
principalmente com os bisnetos de seu Pedro Alves de Oliveira e Dona Maria Rosa
Alves e seu José Rodrigues de Souza e Dona Mariana Alves.
De seu Henrique e Dona
Luzia para cá, cada um que conte sua história.
Nas Alagoas, Setembro de 2019
Ruy Rodrigues.
sexta-feira, 31 de maio de 2019
O Encontro de Zé Gamela com Antonio Bacana.
(Poesia que integra o texto original de
e A Feira do Balacubaco, peça teatral do Grupo GAPPAJI,
de Iguatu- CE).
Cumpade ôh danação
Que o mundo tá revirado
Bem dizia meu Padim
Já no século passado
Que a famosa Besta Fera
Ia mandar nesta era
E o Tempo já é chegado
Eu já tô é assustado
Com tanta esculhambação
Meu pai ia para a feira
Só levava um tostão
E ainda sobrava trôco
Hoje tô ficando brôco
Pois num dá nem com um milhão
É a tal corrupção
Que arrasou com a pobreza
Atingiu desde Sobral
Capistrano e Fortaleza
E tem uma raiz danada
É bem forte e infincada
É o Sistema com certeza
Te digo com realeza
Cumpade a coisa tá mal
Só quem sofre é os coitados
Que não tem bom cabedal
Quem manda no país inteiro
É a força do estrangeiro
É a força do Capital
A verdade afinal
A coisa é de desamparo
Num Brasil com tanta terra
Num precisa de reparo
Eu não posso intender
Cuma nóis tem que cumer
Um alimento tão caro
Isto é falta de preparo
Eu digo prá vosmissê
Do prefeito ao deputado
Todos querem é se fazer
E o povo que se atole
Que se arrombe quem for mole
Eles botam é pra moer
A minha irmã Mercê
Viúva com 4 filhos
Trabalha de professora
De sua dor eu partilho
Não ganha nem mesmo 1 mil
Isto é um salário vil
Para uma profissão de brilho
É caro o feijão e o milho
Eu digo para o senhor
Falta o feijão e a fava
Na mesa do agricultor
O povo de fome morrendo
E o Governo vendendo
Legume pro exterior
Home nóis num tem valor
Isto ninguém alardeia
Vamos parar de conversa
Ou a coisa fica feia
E nóis sem ter a maldade
Só por falar a verdade
Talvez pare na cadeia.
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