segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020


A MEIZINHA

Não sou de apologia
Ao que gera confusão
Mas também quero respeito
À toda opinião
Meu amigo me escute
Veja se tenho razão

Eu, nascido no sertão
Na zona jaguaribana
Na terra de Alencar
O poeta não se engana
Peguei uma discussão
Neste final de semana

Pois um sujeito sacana
Veio com tal piadinha
Porque eu, quase gripando
Fui tomar uma meizinha
Disse ele ser safadeza
Aquela atitude minha

Aí não minha santinha
Enterrei os pés no chão
E parti com quatro pedras
Pra riba do cidadão
Defendendo a meizinha:
Cachaça, mel e limão

É remédio meu irmão
Melhor que Redoxon
Digo e não peço segredo
Eu não arredo do tom
Sendo na medida certa
Logo o cabra fica bom

Olha o velho Abdon
Provando amargo fel
Com difruço e estalecido
Se indo em del em del
A catarreira acabou
Com limão, cachaça e mel



O primo Salatiel
Quase que bate a cabaça
Com uma tosse infeliz
Cachorro doido de praça
Seu  pulmão ficou “novin”
Com mel, limão e cachaça

Quem quiser que ache graça
Ontem eu tava amorrinhado
Espirrando e um zumbido
No ouvido deste lado
Juntei mel, limão, cachaça
Tomei tudo misturado

Hoje vejo o resultado
Já parou de escorrer
O catarro do nariz
Só tu vendo pra tu crer
Oh mistura abençoada
Meizinha do bem querer

Eu garanto pra valer
Cachaça, mel e limão
Se quiser Rabo de Galo
Mas já é outra versão
Cura isso e algo mais
Arrelique do sertão

Serve pra constipação
E espinhela caída
Pereba braba e unheiro
E mal de mulher parida
Pra frieira e dordói
É de cura garantida

Pra gente esmorecida
Desses que tem o buchão
Lombriga a três por quatro
Com jeito de amarelão
Recomendo só três doses
De mel, cachaça e limão



Quem não cumpre obrigação
E vive desiludido
Em falta com a patroa
Zuada no pé do ouvido
Tome doses reforçadas
Se não resolver: duvido

O compadre Aparecido
Com  úlcera rebentada
Com limão, cachaça e mel
E um “mastruzinho” de nada
Ficou bom em quinze dias
Oh meizinha abençoada

Mas você meu camarada
Me preste bem atenção
Tome na medida certa
E não faça profissão
Se não você se arromba
Com mel, cachaça e limão



Maceió (AL), Fevereiro de 2020,



Ruy Rodrigues.









sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A Bicharada.


A Bicharada.


Chico Benvas meu amigo
Me preste bem atenção
Sou poeta nordestimo
Nascido lá no sertão
O que é que você acha
de Farol e Camarão ?

Ou mesmo de Cabeção
Poliglota e Megalógico
Tu lembra do Baleado
De Cangalha antológico
Tinha tanto bicho alí
Parecia um zoológico

Pra provar não ser ilógico
Vou falar de Cafimfim
Tinha o Zé Carioca
Que já foi pro Mar Sem Fim
E quem peste me chamou
De cara, de Bacurim ?

Antes tu era Fransquim
Mas teve o nome mudado
Pois alí era difícil
O cabra ser respeitado
Ao invés de Benvenuto
Chamavam de Amassado

Recordação do passado
Mas tudo só brincadeira
Lembro do Gordão Legal
E Salsicha de primeira
Tinha uma, era  Matraca
Por ser muito faladeira

Não pense que foi besteira
Falo com muita emoção
Lembro Assis Panelada
Jacaré da confusão
E namorando Filó
Tinha o Joaquim  Mamão

Trabalho e diversão
Chica Neide foi pro Céu
E o nosso Capitão Gancho
Também foi de déu em déu
E completando a lista
Tinha o famoso Xexéu

O Tempo pro Beleléu
Falta muitos neste rol
Fazer o tempo voltar
Peneira tapar o sol
Mas me diga o que tu acha
De Camarão e Farol ?










segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Vendaval


 Tremei velhos penduricalhos
Bibelôs e berloques chorem
Livros e revistas implorem
Se agarrem velhas colchas de retalhos

Armários e mesas falhos
Acenem para nunca mais
Traças e aracnídeos digam ais
Vão  embora seus versos de morada

Pois o vento na sua ventarada
Sopra impune e os leva para a lixeira
Se brincar leva a dispensa inteira
Nova sala, novo caos,nova ordem

Aí daqueles que discordem !




segunda-feira, 30 de setembro de 2019


GENEALOPOESIA


José Rodrigues de Souza
Casou-se com Mariana
Eles moravam na Cobra
Se o Espírito não me engana
Na Serra do Cariri
Município de Santana

A mulher tinha uma mana
Uma matuta trigueira
Eram da família Alves
Gente da lida roceira
Casou-se com um senhor
Pedro Alves de Oliveira

Numa lida verdadeira
Nos campos desse sertão
Foram tendo os seus filhos
Pedindo a Deus proteção
Crescendo e multiplicando
Cumprindo sua missão

De toda “ famiação”
Só de alguns eu falarei
Até porque na verdade
Quantos foram eu não sei
Quem sabia já se foi
E isto não perguntei

Como antes eu falei
Dos filhos de seu José
Eu falarei só de tres
Veja a história como é
Antônio, Silvino e Henrique
É verdade ponha fé

Por Jesus de Nazaré
A Dona Maria Rosa
A esposa de seu Pedro
Na luta vitoriosa
Teve Antônia, Moça e Luzia
E a história fica gostosa

Continuando a prosa
A coisa vai complicar
Pois não é que estes seis
Resolveram se casar
Não sei como começou
Mas o fim eu vou contar

Antônio foi se engraçar
Viu que Antônia lhe queria
Silvino gostou de Moça
Se casaram um belo dia
Seu Henrique não foi bobo
E se casou com Luzia

E pela santa poesia
Vejam esta trajetória
De luta e de sofrimento
Mas também sei, de vitória
De Henrique e de Luzia
É que vem a nossa história








       Meu povo, estes versinho populares, foram feitos a partir de uma conversa que tive com meu querido Tio Antônio, entre final de 2017 e início de 2018, achei importante partilhar, principalmente com os bisnetos de seu Pedro Alves de Oliveira e Dona Maria Rosa Alves e seu José Rodrigues de Souza e Dona Mariana Alves.
        De seu Henrique e Dona Luzia para cá, cada um que conte sua história.

Nas Alagoas, Setembro de 2019
Ruy Rodrigues.























sexta-feira, 31 de maio de 2019


O Encontro de Zé Gamela com Antonio Bacana.

              (Poesia que integra o texto original de
e A Feira do Balacubaco, peça teatral do Grupo GAPPAJI, 
de Iguatu- CE).


Cumpade  ôh  danação
Que o mundo tá revirado
Bem dizia meu Padim
Já no século passado
Que a famosa Besta Fera
Ia mandar nesta era
E o Tempo já é chegado

Eu já tô é assustado
Com tanta esculhambação
Meu pai ia para a feira
Só levava um tostão
E ainda sobrava trôco
Hoje tô ficando brôco
Pois num dá nem com um milhão

É a tal corrupção
Que arrasou com a pobreza
Atingiu desde Sobral
Capistrano e Fortaleza
E tem uma raiz danada
É bem forte e infincada
É o Sistema com certeza

Te digo com realeza
Cumpade a coisa tá mal
Só quem sofre é os coitados
Que não tem bom cabedal
Quem manda no país inteiro
É a força do estrangeiro
É a força do Capital

A verdade afinal
A coisa é de desamparo
Num Brasil com tanta terra
Num precisa de reparo
Eu não posso intender
Cuma nóis tem que cumer
Um alimento tão caro

Isto é falta de preparo
Eu digo prá vosmissê
Do prefeito ao deputado
Todos querem é se fazer
E o povo que se atole
Que se arrombe quem for mole
Eles botam é pra moer

A minha irmã Mercê
Viúva com 4 filhos
Trabalha de professora
De sua dor eu partilho
Não ganha nem mesmo 1 mil
Isto é um salário vil
Para uma profissão de brilho

É caro o feijão e o milho
Eu digo para o senhor
Falta o feijão e a fava
Na mesa do agricultor
O povo de fome morrendo
E o Governo vendendo
Legume pro exterior


Home nóis num tem valor
Isto ninguém  alardeia
Vamos parar de conversa
Ou a coisa fica feia
E nóis sem ter a maldade
Só por falar a verdade
Talvez pare na cadeia.


















sexta-feira, 19 de abril de 2019

Os Três Sem Destino
O cordel

I
Pode guardar pro futuro
O que escrevo agora
Faltando a terra de Deus
Chega a de Nossa Senhora
Se prepare meu Nordeste
Pois já passamos no teste
É chagada nossa hora

II
Vou contar pro mundo a fora
 Nossa história verdadeira
De poesia e emoção
De cantoria brejeira
Da pura simplicidade
Do valor da amizade
Que é dom pra vida inteira

III
Nesta pisada certeira
Sem querer fama ou dinheiro
Sem almejar estrelato
Segue um trio verdadeiro
Uns cabras lá do sertão
Tendo como inspiração
O Nordeste Brasileiro

IV
Pois bem, leitor companheiro
Deste país nordestino
Apresento nosso grupo
Talvez o mais pequenino
De tanto que já se fez
Apresento pra você
“Nois”, os Três  Sem Destino

V
Deste o tempo de menino
Nossa raiz é matuta
Não podemos renegar
Com certeza absoluta
Para até aqui chegar
Foi esforço pra danar
Heróica foi nossa luta
 
VI
É como quem se disputa
Com um boi no tabuleiro
Assim chegamos agora
Aqui vou falar primeiro
Do Gena do acordeon
É ele quem da o tom
Nosso grande sanfoneiro


 VII
Do Pernambuco altaneiro
Das bandas do Iati
Vem este cabra - da - peste
Comparecendo aqui
Tem calma e simplicidade
Sabe dizer a verdade
Sem do seu canto “sai”

VIII
De perto do Cariri
Centro - sul do Ceará
Um tocador de viola
Que gosta de improvisar
É volta de couro cru
Ruy vem lá do Iguatu
Não promete pra faltar

IX
É das banda mais de cá
Do solo alagoano
Nascido lá na Batalha
Exemplo de ser humano
Portador da alegria
Mexe com João e Maria
Zabumbeiro:  Cristiano

X
Os 3 formaram um plano
De fato sem planejar
Assim bem de brincadeira
De fato só pra brincar
Com a arte de primeira
Mais Brasil, mais Brasileira
Nordestina e popular.


XI
O zabumba a zabunbar
A viola violando
O fole a furunfunfar
Assim vai resfulegando 
Segue um trio diferente
Com o jeito da nossa gente
Vai a todos alegrando

XII
O que a gente vai tocando
Tocamos com emoção
É como se os acordes
Saíssem do coração
E tome xote e xaxado
Maracatu pinicado
Coco de roda e baião
 XIII
Pra esta grande nação
Do Brasil mais brasileiro
Como cantou Zé - da – Luz
Um poeta verdadeiro
O som dos Três Sem Destino
É sorriso cristalino
Da terra tem som e cheiro

XIV
E ainda por derradeiro
A todos vai um louvor
Pra nossa gente amiga
Para nós tem mais valor
E família e amizade
E Deus que é pai de verdade
Que da Arte é o Criador

XV
Salve o nordeste, senhor
Salve o povo nordestino
Viva a arte popular
Salve o mestre vitalino
Salve Luiz, do baião
Que é pai desta nação
E viva os Três Sem Destino.



Contatos

Para maiores informações, contato com o autor, dúvidas ou sugestões:
ruy.r@ig.com.br
ou
benita.rodrigues@hotmail.com

obrigada.