sexta-feira, 25 de junho de 2010

Arte Popular


A Cultura Nordestina

E a Arte Popular

A marca da nossa História

As coisas deste lugar

Pouco a pouco vão sumindo

Eu resolvi protestar


Não se pode aceitar

Como as coisas tão ficando

A arte de nossa terra

Aos poucos se acabando

E um povo sem cultura

Pra extinção vai marchando


O que venho observando

Nesta terra de Teixeira

É a falta de atenção

Pra cultura verdadeira

E a arte importada

Mantida na dianteira


Não pense que isto é besteira

Vou lhe dar explicação

Além de muito rock

Metalice e zoação

É bem pequeno o espaço

Para o nosso bom baião


E a aculturação

Vem com força tenha dó

Trio Duro na parada

Marcianas e Xororó

E se diz que é sertaneja

Nosso sertão é forro


Amarga que nem jiló

Quando é de madrugada

Eu ligar o meu radinho

Só escutar caipirada

Em qualquer uma estação

Tal cantiga combinada


A tarde a mesma zoada

Que entristece e não consola

Iguatu não é São Paulo

Goiás ou outra escola

Que saudades dos repentes

Canção, galope e viola


Pra não pedir esmola

Zé Ferreira foi embora

Lourival ta vai não vai

Tá no apertar da hora

Só canta quando viaja

Ou trás cantador de fora


Patrocínio sem demora

Divulgação bem legal

Pro garotos que imitam

Outros da América Central

Remexendo o bumbum

Etc e coisa e tal.


Eu pergunto afinal

Isto tá certo ou errado

Qual o real interesse

Ou quem paga o recado

Este povo é sem cultura

Ou tá sendo alienado


Os costumes de outro Estado

Ou mesmo do estrangeiro

Tem seu valor e lugar

Mas o Nordeste primeiro

Galo que nega sua raça

Vai pra fora do terreiro


Nosso sertão brasileiro

Mote, toada e repente

Coco de roda e baião

Vaquejada e aguardente

Cordel do nosso lugar

Cantiga de nossa gente


É necessário e urgente

De todos, nova postura

De quem tá no microfone

De quem produz a cultura

De quem tá pagando o som

De quem tá na prefeitura


Pra nossa vida futura

Peço a proteção Divina

Que nos livre do Japão

Abençoe a nossa sina

Viva a Arte Popular

E a Cultura Nordestina.


Ruy Rodrigues


Nota da 2ª edição: Este cordel foi produzido e editado

originalmente em Iguatu-Ce no ano de 1988. De lá pra cá, pra nossa tristeza,

pouca coisa mudou no campo da valorização da Cultura Popular.


2ª edição: Maceió (Al), Abril de 2006

sábado, 31 de outubro de 2009

IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas

Será realizada no período de 30 de outubro a 8 de novembro de 2009 a IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas.



Em meio a tantos outros artistas, este ano o poeta e cordelista Ruy Rodrigues(Ruy do Ceará) participará da Bienal se apresentando com o seu mais recente trabalho "Cordel, uma História Puxa Outra" no estande da Secretaria de estado da Cultura no dia 3/11(terça-feira), às 19h.


A Bienal é uma realização da Universidade Federal de Alagoas, através da EDUFAL – Editora da Universidade Federal de Alagoas, com o apoio da ABEU (Associação Brasileira dos Editores Universitários), da CBL (Câmara Brasileira do Livro), da Prefeitura de Maceió, do Governo do Estado de Alagoas e demais parceiros de instituições públicas e privadas. O evento é localizado, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em Jaraguá, Com a proposta de continuidade da III Bienal, a quarta edição da Bienal do Livro tem o propósito de marcar a presença das editoras de várias partes do país junto ao público alagoano, através de seus últimos lançamentos, proporcionando aos estudantes de vários níveis, aos acadêmicos, professores e comunidade em geral a possibilidade de contato com material literário de várias áreas do conhecimento.



domingo, 25 de outubro de 2009

Iguatu Meu Lugar

Iguatu Meu Lugar(BIS)
Foi a terra onde nasci
Onde feliz aprendi
Ler, escrever e contar

I
O verso que canto agora
Vai saindo sem demora
Me valha Nossa Senhora
Na hora que eu for rimar
Quem conhece o meu passado
Oi! Não fique admirado
Dou de conta do recado
Não prometo pra faltar

II
Seu Heleno no repente
É poeta competente
Por ser um seu descendente
Não posso lhe envergonhar
Eu não sei nem a metade
Digo com sinceridade
É artista de verdade
Desta arte popular

III
Pensando no meu torrão
Fico cheio de emoção
Bate forte o coração
Quase que chego a chorar
Lembro o tempo de menino
E a evolução do destino
Cada vez mais Nordestino
Me dano a improvisar

IV
Já fui ao Rio de Janeiro
Já morei lá em Salgueiro
Já passei no Juazeiro
Ninguém queira duvidar
Seis anos em Surubim
Maceió cuida de mim
Me chamam Ruy Bacurim
Maceió cuida de mim
Iguatu é meu lugar

V
A minha mãe é Maria
E a mulher que eu queria
Também as minhas três “fia”
Eita nome pra eu amar
Maria do meu amor
Maria do Salvador
Este nome tem valor
Triste de quem duvidar.

VI
Me lembro da pastoral
Do salão paroquial
Da juventude legal
Que soube se organizar
Os nomes tão na memória
Linda é a nossa história
Conseqüente trajetória
Lá do meio popular

VII
Da rua do “Matador”
Do Boreu um Trovador
Dos bois, também do trator
Com carne a carregar
Zé Pereira, credo em cruz
Não lembro motor da luz
Mas lembro de Zé Peluz
Este sabia laçar

VIII
Lembro de Dona Luzia
Avó da sabedoria
Neto que ela mais queria
O nome não vou falar
É dela a devoção
Ensinou nossa oração
Aí peço a sua benção
Pra vida continuar

IX
Lembrando minha cidade
Só falo de amizade
Digo com pura verdade
Adoro aquele lugar
São tantas coisas na mente
Mas vamos andar pela frente
Assim se faz o repente
Tempo não pode parar

X
Vai pra quem gosta de mim
Vai pro amigo Fransquin
Quem escreve é Bacurim
Que é macho que só preá
Nas terras das Alagoas
Vou contando minhas loas
Só desejo coisas boas
Pra Iguatu que é meu lugar.


Ruy do Ceará

Contatos

Para maiores informações, contato com o autor, dúvidas ou sugestões:
ruy.r@ig.com.br
ou
benita.rodrigues@hotmail.com

obrigada.